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Cães magrelos esculpidos em madeira no Sertão conquistam galerias no Brasil e no exterior

Marcos de Sertânia segura uma de suas esculturas de cachorro em madeira. Arquivo Pessoal Com patas finas, corpos alongados e costelas à mostra, os cães escul...

Cães magrelos esculpidos em madeira no Sertão conquistam galerias no Brasil e no exterior
Cães magrelos esculpidos em madeira no Sertão conquistam galerias no Brasil e no exterior (Foto: Reprodução)

Marcos de Sertânia segura uma de suas esculturas de cachorro em madeira. Arquivo Pessoal Com patas finas, corpos alongados e costelas à mostra, os cães esculpidos em madeira ajudaram a projetar o trabalho de Marcos Paulo Lau da Costa para galerias de arte no Brasil e no exterior. Natural de Sertânia, no Sertão de Pernambuco, o artista é conhecido como Marcos de Sertânia. Uma de suas obras chegou ao papa Francisco como presente do arcebispo de Natal, dom Jaime, segundo o artesão. A homenagem marcou a trajetória de Marcos, que também tem peças comercializadas em países da Europa, da América do Norte e do Oriente Médio. ✅ Receba as notícias do g1 Caruaru e região no seu WhatsApp “Isso mostra que a nossa arte atravessou vários países até chegar a ele [o papa], vários lugares, e foi entregue a uma pessoa tão importante”, disse ao g1. Obra de Marcos de Sertânia esculpida em madeira Arquivo Pessoal O repertório do artesão inclui famílias de retirantes, agricultores e mulheres carregando recipientes de água. As esculturas retratam personagens e cenas associados ao imaginário popular e às paisagens do semiárido. “Eu quis aproveitar a história da sobrevivência do homem do Sertão, o camponês, o homem que resiste à seca”, explicou Marcos. Obra de arte de Marcos de Sertânia Arquivo Pessaol As esculturas de cães magros também podem remeter a "Baleia", personagem de Vidas Secas, romance de Graciliano Ramos que retrata uma família sertaneja diante da seca e da pobreza. A associação evoca imagens que historicamente marcaram as representações do Sertão na literatura e nas artes. Arte que atravessa fronteiras Artesanato da madeira em Sertânia ganha o mundo As esculturas são comercializadas em países como Bélgica, Portugal, Israel e Estados Unidos. As peças também estão presentes em galerias de arte no Brasil. O artesão escolheu o nome artístico Marcos de Sertânia para manter a ligação com a cidade onde vive e trabalha. Ele conta que ver suas obras em galerias de diferentes países é motivo de orgulho. “Hoje as nossas peças são vendidas em grandes galerias no Brasil, em destaque. As pessoas sempre enfatizam que em uma galeria de arte popular sempre tem que ter uma peça de Marcos de Sertânia”, afirmou ao g1. O contato de Marcos com a madeira começou ainda na infância, quando frequentava a casa do avô e observava as ferramentas. A curiosidade despertada naquela época deu início à relação com o ofício. “Fui mexendo nas ferramentas, fui gerando curiosidade, aí foram tentar aprender”, contou, ao lembrar como outras pessoas também passaram a se interessar pela técnica. Técnica compartilhada com novos artesãos Marcos de Sertânia e obras reproduzidas pelo artista pernambucano Arquivo Pessoal A procura pelas obras também levou Marcos a ensinar sua técnica a outras pessoas. Interessados começaram a frequentar sua casa para observar a produção e aprender o ofício. Com o aumento das encomendas, o artesão passou a reunir colaboradores para ampliar a capacidade de produção. Atualmente, de 22 a 25 pessoas vivem diretamente do artesanato ligado ao trabalho desenvolvido por Marcos, segundo o artista. A maioria é formada por moradores do bairro Alto do Rio Branco, onde fica seu ateliê. O conhecimento compartilhado também deu origem a novos negócios. Marcos conta que cinco ou seis ateliês foram criados por pessoas que aprenderam a técnica com ele e passaram a produzir e comercializar as próprias peças. “Ensinar para muita gente isso aqui, esse ofício, para mim é muito gratificante, porque é tentar repassar, não deixar que essa arte morra, que possa transcender gerações”, disse. O artesão também está construindo um espaço maior para ampliar a estrutura de trabalho. A proposta é reunir o ateliê e uma galeria, receber visitantes e oferecer mais oportunidades para quem deseja conhecer e aprender a técnica. Obras de arte do artesão Marcos de Sertânia Arquivo Pessoal